Eu sou mega partidário em projetos tocados por amigos. É claro que se a coisa não é boa não dá para levantar a bandeira, mas como tenho a sorte de ter vários talentos por perto, fica difícil não se engajar. E todo esse nariz de cera para falar de “hands”, investida do trio Ana Tokutake, Diego Denardi e Juliana de Faria, que aposto e visto a camisa.
Hands é ao mesmo tempo um blog, um manifesto, um aglutinador e um catalisador. Sua proposta é unir e divulgar a nova geração de artistas plásticos, ilustradores, videoartistas, designers, e gente criativa que está produzindo coisa interessante mas que não tem tanto reconhecimento nos veículos tradicionais de imprensa.
O projeto está dando seus primeiros passos, mas tem potencial para ir longe. Guardem esse nome: “Hands”, vocês vão ouvir falar dele logo mais. E para entender melhor minha empolgação, leiam o texto de apresentação assinado pela Juliana. Eu li e quase me emocionei, Sério.
Essa semana o editor da revista Junior, Marcelo Cia, compartilhou comigo o sucesso de um dos editoriais da última edição. Batizada de Portfólio, essa seção fixa da publicação destaca sempre algum fotógrafo cujo trabalho trata de alguma forma da beleza masculina. O fotógrafo em destaque na edição de maio da revista, Andy Houghton, foi sugerido por mim. Acompanhava o Flickr dele há muito tempo e me senti feliz ao ver minha indicação aceita.
Cristian Resende, Daniel Ueda, Fernando Sapuppo e Jorge Grimberg dão o start amanhã no projeto Cartel 011, que promete se tornar mais um ponto de arte, cultura, música e moda no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Sem muito alarde, o grupo trabalhou na reforma de um galpão na rua Arthur de Azevedo que abrigará exposições, desfiles, pop-up stores e eventos variados. Nada tão novo não fosse a pegada 2.0 do projeto, que pretende privilegiar jovens empreendedores e nomes não muito conhecidos mas com potencial para despontar. Coerente com a proposta de revelar novos talentos, o espaço dá início as atividades sem recorrer à divulgação clichê de veículos tradicionais da imprensa. Em esquema soft openning, a inauguração acontece a partir das 16h horas para convidados selecionados por um grupo de blogueiros e comunicadores em redes sociais. A convite do Cristian, estarei lá filmando o momento oficial do parto. Bem vindo ao mundo Cartel!
A idéia era fazer um vídeo, mas a câmera usada para captura era PAL, européia… enfim, um drama de formatos na hora de passar p/ o computador… Mas no slideshow tb fica bom tb! …
A corrida de taxi era curta, mas tinha a sensação de estar a caminho de um aeroporto desses bem afastados do centro, onde, sem bilhete de volta, embarcaria rumo a uma nova cidade ou país, deixando para trás a rotina, o conforto, o controle, em busca do acaso, do novo, da reinvenção.
Aquilo me lembrava o trajeto ao Charles de Gaulles, há dois anos. Recordação cortada pela locução de um jogo de futebol no rádio, que limitava as semelhanças à angustia comum em momentos de partida. No porta-malas… nada. Na fatura do cartão… o mesmo endereço. Não deixava cidade alguma. Apenas dizia tchau. Sem dispensar as lágrimas, chorei. Como sempre fiz em outras mudanças. Estou deixando alguém. Alguém me deixou. Quem deixou?
Na Inglaterra, na estação de trem de Warrington, foram instaladas placas de proibido beijar. As calorosas e demoradas despedidas impediam a circulação dos carros na área de embarque atrasando as partidas dos trens. Quer beijar? Estacione o carro e não atrapalhe a circulação.
O fim de um relacionamento intenso também pede uma medida radical. Precisa ser dramático, ou não seria o fim. Não vamos mais nos ver nos próximos meses. Mas por que essas memórias de embarques, aeroportos, viagens? Só entende quem viaja, se Cazuza me permitir a paráfrase.
Sempre tive espírito nômade. Talvez o fato de ter saído da casa dos meus pais com 13 anos de idade tenha influenciado nesse desapego. Sair da cidadezinha do interior para estudar na capital de Goiás parecia algo tão grande naquela época. Quatro anos mais tarde, veio o vestibular e junto com ele a mudança para São Paulo. Mais tarde, uma temporada na França. Sou camaleão em busca de novos paterns.
Choro! E guardo comigo as músicas, os lugares, os gostos, os cheiros, o calor, as vitórias. Choro! “É 15 reais jovem”, diz o motorista estacionando o carro. Limpo o rosto e me preparo para embarcar em minha nova vida, lembrando que os camaleões vivem a maior parte dela solitariamente.
No último final de semana tirei do papel e coloquei em prática uma idéia que há meses martelava minha cabeça: um ensaio fotográfico feito exclusivamente com câmeras antigas como Holga, Diana, LCA, Lubitel, entre outros modelos aos quais muitos se referem simplesmente como câmeras Lomo, termo que originalmente dá nome a fabricante de apenas algumas dessas máquinas.
Obrigado a Marcelo Cia que acreditou na idéia incluindo a pauta na próxima edição da Junior, que chega às bancas na primeira quinzena de junho, e ainda ao jmm kazi, que me emprestou quatro exemplares de sua enorme coleção de câmeras, enquanto o fofo do Matheus Oliveira concedeu por algumas horas sua linda Holga. Além dos modelos Cristian e Daniel, participou de toda movimentação meu hóspede francês Antoine Rubellin, que além dos cliques que ilustram esse post também foi o responsável pela filmagem que dará origem a um vídeo de making of. As fotos do ensaio só na revista Junior e futuramente aqui no blog dentro do vídeo que estou editando.
Se você não é fã de David Lynch, provavelmente essas fotos e esse post não serão de seu interesse. As imagens acima mostram as locações escolhidas pelo diretor norte-americano para a série Twin Peaks, que descobri tardiamente com o lançamento do box de dvds. A fictícia cidade que dá nome ao seriado exibido em 1991 é na verdade um apanhado de cenários escolhidos entre municípios da costa noroeste americana, no estado de Washington.
Ao pesquisar as fotos no Flickr, descobri que a série chegou a inspirar um festival de twin-peaks-maníacos que, pasmem, existe até hoje, quase 20 anos depois da estréia do programa na TV. No site do Twin Peaks Fest é possível se increver para a próxima edição, que rola em julho próximo. Mais nerd impossível.
Além dos elementos típicos do suspense lynchiano, como sonhos, atores de aparência amedrontadora e personagens com múltiplas personalidades, Twin Peaks possui traços narrativos em voga nas séries atuais, principalmente Lost. Além da construção alinear dos fatos e os finais reveladores de cada capítulo, vemos na série noventista a mesma receita de Lost de responder uma pergunta e ao mesmo tempo lançar novos questionamentos.
PS. Conversando com uns amigos ontem, ouvi que David Lynch faria a tal quarta terceira temporada, que nunca foi ao ar. Fiz uma busca na web mas não encontrei nada. Será?
Pode soar prepotente um blog cuja URL leva o nome de seu autor, principalmente quando este tem vinte poucos anos. Mais do que arrogância, deslumbre ou excesso de auto-confiança, tão comum à geração pós web, o título deste blog é coerente com sua proposta de abordar projetos e temas com os quais tenho alguma ligação direta. Este blog não irá falar dos últimos acontecimentos ou replicar hypismos de outros sites. Ele foi imaginado como uma ferramenta de exercício de indetidade, com funcionalidade quase terapeutica, possuindo um toque de diário pessoal, mas sem muitos relatos de vida particular, e com uma vocação maior para portifólio profissional e prática criativa. Aqui você vê trabalhos com os quais tenho algum envolvimento, referências que têm povoado minha cabeça ou coisas legais realizadas por amigos e gente nova.